12 Novembro, 2025 |
Por: Cristiano Baumgartner
12 Novembro, 2025 |
Por: Cristiano Baumgartner
Em um cenário tecnológico cada vez mais competitivo, veloz e complexo, a Qualidade de Software deixou de ser um diferencial e tornou-se uma decisão estratégica. Nesse contexto, existe nas empresas um profissional que pode determinar se a cultura de qualidade avança ou fracassa: o CTO (Chief Technology Officer). Mais do que um gestor de tecnologia, o CTO moderno é um arquiteto cultural, responsável por alinhar pessoas, processos e tecnologias em torno de um mesmo objetivo: entregar valor com confiança e excelência contínua.
Neste artigo, vamos explorar o papel do CTO na construção de um modelo de excelência em qualidade e como líderes de tecnologia podem transformar QA em um motor de inovação e crescimento dentro das suas organizações.
Durante muito tempo, o CTO era visto apenas como o “chefe da tecnologia”, aquele que definia as arquiteturas, aprovava ferramentas e supervisionava os times de desenvolvimento. Mas esse cenário mudou. Hoje, com o avanço da Transformação Digital e Inteligência Artificial, o papel do CTO vai muito além do domínio técnico. Ele precisa ser o conector entre estratégia, produto e qualidade.
Um CTO que valoriza a qualidade desde o planejamento até a entrega inspira comportamentos que se multiplicam pela organização. É ele quem define o tom sobre o que é aceitável, o que é medido e o que é valorizado.
Uma cultura orientada à qualidade vai muito além de ter uma equipe de QA ou processos de testes automatizados. Ela é uma mentalidade organizacional que permeia todas as áreas, do desenvolvimento ao suporte, do produto ao negócio. Quando a qualidade é parte da mentalidade corporativa, ela não é responsabilidade de um time, mas de todos.
Isso significa que desenvolvedores escrevem código pensando em manutenibilidade, analistas de produto validam hipóteses com dados reais, gestores acompanham métricas de confiabilidade e times de QA deixam de ser “caçadores de bugs” para se tornarem parceiros de evolução contínua. Logo, um sistema de qualidade organizacional é sustentado por três pilares principais:
1) Clareza e propósito: todos entendem o impacto da qualidade no negócio.
2) Colaboração e autonomia: os times se sentem responsáveis por entregar valor com excelência.
3) Medição e melhoria contínua: decisões são tomadas com base em dados e resultados.
E é o CTO quem deve desenhar, comunicar e reforçar esses pilares diariamente.
Construir um DNA da qualidade exige mudança de mentalidade. E mudanças comportamentais não acontecem por decreto, elas ocorrem por meio de exemplos. Um CTO que cobra qualidade, mas entrega pressão, prazos irreais e ausência de testes, afeta sua própria estratégia. Todavia, um profissional que investe em ferramentas, capacitação e processos colaborativos, demonstra que a qualidade é prioridade, não discurso. Nesse sentido, algumas ações práticas que um CTO pode adotar para liderar essa transformação incluem:
· Integrar QA desde o início do ciclo de desenvolvimento;
· Implementar métricas de qualidade mensuráveis;
· Ter Indicadores como taxa de defeitos em produção, tempo médio de correção e cobertura de testes;
· Promover comunicação eficaz entre QA, Dev e Negócio;
· Adotar ferramentas de automação e IA aplicada a testes;
· Aplicar testes preditivos e geração automática de cenários.
Além disso, recompensar times que entregam com qualidade cria reforços positivos e incentiva outros a seguirem o mesmo exemplo.
Empresas que enxergam a qualidade apenas como custo estão perdendo eficiência e deixando de ter vantagem competitiva. Ao garantir que a qualidade esteja presente em cada decisão técnica e de produto, o CTO aumenta a confiança do cliente, reduz o custo de retrabalho e fortalece a imagem da marca.
Um bom exemplo disso vem de projetos conduzidos pela Testing Company em empresas como Grupo Herval, Bem Promotora e Piccadilly, onde a implantação de práticas de QA estruturadas reduziu falhas críticas em produção, acelerou lançamentos e elevou a percepção de confiabilidade dos sistemas.
Esses resultados não vieram apenas da execução técnica, mas também do apoio das lideranças que acreditam que qualidade é investimento e não obstáculo.
Outro papel fundamental do CTO é construir uma cultura onde aprender é parte do processo. Times de alta performance são curiosos, abertos a feedback e dispostos a experimentar novas abordagens. Para isso, o CTO precisa incentivar:
· Formação técnica constante, com treinamentos e workshops sobre novas ferramentas, linguagens e metodologias.
· Espaços para troca e reflexão como retrospectivas de QA, meetups internos ou até mesmo podcasts como o PodTesting, da Testing Company, onde temas como automação, IA e QA são debatidos frequentemente.
· Transparência, onde falhas são tratadas como oportunidades de aprendizado e não como culpabilização.
Afinal, qualidade não é sobre nunca errar e sim aprender rápido e corrigir melhor.
No ambiente ágil e orientado a entregas contínuas, o CTO enfrenta um dilema: como manter a qualidade sem perder velocidade. Esse é o ponto onde a automação e a inteligência artificial se tornam grandes aliadas. Ferramentas de integração e entrega contínua (CI/CD), testes automatizados e análise inteligente de falhas permitem manter um fluxo constante de inovação sem sacrificar a confiabilidade.
Com dados e dashboards à disposição, o CTO pode tomar decisões baseadas em evidências e não em suposições.
Por mais que o CTO seja o principal catalisador, a cultura de qualidade precisa ser vivida por todos. Isso significa criar canais de comunicação, alinhamento e engajamento entre os diferentes níveis da organização, dentre os quais:
· C-Level: entender que qualidade é um ativo estratégico que impacta no resultado e reputação da marca.
· Gestores de produto: planejar sprints e entregas com espaço para testes, revisões e validações.
· Desenvolvedores e QAs: atuar de forma colaborativa com senso de responsabilidade compartilhada.
O CTO, como líder de tecnologia é quem traduz essa visão e torna a qualidade parte da identidade da empresa.
Como vimos ao longo desse artigo, o CTO deve trabalhar para que as aplicações não falhem e garantir que as entregas realmente agreguem valor ao negócio. Ademais, deve incentivar as equipes para que estejam alinhadas em torno de um propósito comum. Diante disso, construir uma cultura de confiança e excelência é um desafio que vai muito além de processos ou ferramentas. É uma transformação de mentalidade que começa na liderança. O CTO é o arquiteto dessa mudança. É quem inspira o time a valorizar a excelência, traduz estratégia em prática e garante que a tecnologia esteja sempre a serviço do negócio.
Empresas que tratam qualidade como valor estratégico criam produtos mais confiáveis, equipes mais engajadas e clientes mais satisfeitos. E o primeiro passo para isso é cultivar, todos os dias, uma abordagem que una pessoas, processos e propósito.
E na sua organização, como o CTO tem impulsionado a cultura de qualidade?
Veja o episódio PodTesting #7 (Decifrando o papel de CTO: desafios, estratégias e inovação) e veja como outras lideranças estão impulsionando a transformação dentro de suas empresas.
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