Você se pergunta se o teste manual de software seria melhor do que o automatizado e vice-versa? Há a tendência de se priorizar a automação de testes, acreditando em sua capacidade de aumentar a produtividade, ganhar velocidade e gerar confiança na avaliação da qualidade de sistemas. Mas existem diferentes posicionamentos sobre esse assunto.

Alguns especialistas sugerem que o ideal é focar em testes automatizados desde o início do projeto, enquanto outros pregam que o teste manual de software deve compor a maior parte das atividades.

Antes de qualquer coisa, é preciso saber que os testes, sejam eles do tipo teste manual de software ou teste automatizado, são essenciais e devem compor o planejamento do projeto, passando por todas as etapas até a finalização e a entrega do software totalmente funcional. Essa prática tem como intuito a descoberta de defeitos já nas fases iniciais do ciclo de desenvolvimento, tornando mais fácil a correção.

Neste artigo, reunimos as principais características dessas duas abordagens para te ajudar a identificar a melhor estratégia para a sua empresa.

Teste manual de software x teste automatizado de software

O principal objetivo do teste de software é verificar se as funcionalidades de um produto atendem a especificações e requisitos, prevenindo falhas para que ele atinja o nível de qualidade esperado e faça realmente o que se propõe a fazer. Nesse contexto, há essas duas principais formas de alcançar esse objetivo: manual e automatizada. Conheça melhor cada uma delas.

O que caracteriza o teste manual de software?

O teste manual de software é uma atividade minuciosa e que exige julgamento humano. Ou seja, é necessário não apenas o conhecimento técnico, mas principalmente a habilidade de julgar se algo está ou não conforme o esperado.

Esse pode ser considerado um diferencial em relação ao teste automatizado, uma vez que, feito por um humano, possibilita encontrar bugs extras que testes automatizados talvez não conseguiriam detectar. Também por ser manual, esse tipo de teste permite que sejam seguidas “pistas” para explorar outros campos que não tenham sido testados ou exigidos. O teste manual de software ainda pode ser útil para detectar problemas de layout e de usabilidade que poderiam passar despercebidos por testes automatizados. 

Outro ponto importante que deve ser destacado em relação ao teste manual de software é que, apesar de parecer menos complexo, ele deve ser realizado com objetivos previamente definidos, planejamento e técnicas adequadas e por profissionais especializados. É fundamental para o sucesso dessa atividade que ela seja realizada por testadores de software e que os envolvidos tenham uma atitude colaborativa.

O que caracteriza o teste automatizado de software?

Automatizar testes é basicamente executar através do computador atividades que geralmente são realizadas de forma manual por pessoas, utilizando-se ferramentas específicas para esse fim. Essa atividade é feita através da criação e da execução dos scripts de teste.

É fato que o teste automatizado garante segurança e agilidade. Isso porque ele permite a execução e, principalmente, a repetição de procedimentos de teste em menos tempo, quando comparado ao teste manual de software. Dessa forma, ele otimiza o tempo e aumenta a velocidade e a confiabilidade na avaliação das aplicações.

Entretanto, nem tudo é tão simples como parece. Afinal, um dos principais desafios da automação de testes é o bom desenvolvimento, a manutenção e a atualização dos scripts de teste. Quando desatualizados e/ou incorretos, também podem falhar, perdendo a eficácia.

Vale lembrar que até mesmo a automação depende da interferência humana. Assim sendo, certamente testes automatizados não excluem a necessidade de um teste manual de software. Inclusive, a iniciativa de automação pode ser iniciada a partir de um processo de teste manual, estabelecido e maduro.

A intervenção humana é essencial na validação de sistemas. Afinal, softwares são utilizados por pessoas e ninguém melhor que testadores para simular os diversos cenários e situações reais em que os usuários finais vão utilizar as aplicações.

Portanto, a experiência e a intuição da equipe de testes são primordiais para realizar revisões e avaliações objetivas com o propósito de assegurar que o planejado está sendo realizado e aplicado aos projetos.

Mas, afinal, quem leva a melhor?

A resposta é: depende. Devido à complexidade do processo de desenvolvimento de software, controlar a qualidade de sistemas nem sempre é uma tarefa fácil para as empresas. Para ajudar nesse desafio, tanto o teste manual de software quanto o teste automatizado são importantes.

A seguir, listamos algumas dicas para você aproveitar melhor os testes de software.

6 dicas para garantir o sucesso dos testes de software

1. Estude antes de adotar qualquer ferramenta

Muitos gestores acreditam que apenas adquirir uma ferramenta de automação é suficiente para resolver os problemas no processo de desenvolvimento. Cuidado! Embora ferramentas sejam imprescindíveis para a automação, é indispensável realizar análises e estudos prévios antes de adotá-las para verificar qual se adapta melhor e atende as necessidades da empresa.

Além disso, é preciso considerar também os custos de aquisição, infraestrutura necessária para instalação, equipe e capacitação necessárias para utilizá-las.

2. Tenha uma estrutura de testes consistente

Várias empresas acreditam que testes automatizados resolverão todos os seus problemas em relação à qualidade. Também não é verdade.

Tanto a teoria quanto a prática mostram que, para um projeto de automação ter sucesso, é imprescindível que, antes de qualquer coisa, um processo de teste minimamente maduro exista e sirva como base para a criação e a manutenção dele. Assim sendo, ter uma estrutura de testes formal e consistente é primordial para que as iniciativas em relação à automação tenham êxito e gerem os resultados esperados.

3. Realize testes de regressão

Você sabia que fazer modificações para corrigir falhas detectadas em um teste podem causar efeitos colaterais? Nesse caso, efeitos colaterais são problemas causados em partes do sistema que estavam funcionando antes que as modificações fossem feitas.

Por isso, é imprescindível realizar testes de regressão, que consistem na re-execução de algum subconjunto de testes que já foram conduzidos para garantir que as modificações realizadas em um produto não propagaram efeitos colaterais indesejáveis.

Esse tipo de teste pode ser realizado tanto de forma manual quanto automatizada. Porém, se a quantidade de casos de teste a serem executados for grande, testes automatizados são mais indicados devido aos ganhos de velocidade e fácil repetição dos procedimentos.

4. Não automatize tudo

Outra visão equivocada é imaginar que se deve automatizar tudo. Devido à complexidade dos sistemas em geral, isso é inviável e muito custoso.

Então, uma boa prática é eleger os casos de teste candidatos à automação com base em características pré-definidas, por exemplo: os que simulam fluxos mais críticos, os que fazem parte das suítes de regressão, tarefas repetitivas etc.

A automação de testes deve ser vista como um projeto de longo prazo e, desse modo, as ações devem ser bem planejadas, principalmente em relação ao que deve ser automatizado.

5. Considere o teste manual de software também em metodologias ágeis

A automação de testes é indispensável em metodologias ágeis, que contribuem para aumentar a produtividade e diminuir o tempo de testes. Inclusive, em muitos casos, a validação dos sistemas inicia-se justamente pelos testes automatizados.

Ainda assim, mesmo nesse contexto, o teste manual de software é necessário e deve ser iniciado desde o primeiro dia da sprint. Isso porque, em metodologias ágeis, o papel da equipe de testes passa por uma mudança e precisa estar mais próximo dos analistas de negócio, dos desenvolvedores e dos clientes.

6. Atue na codificação dos scripts de teste

Muitos profissionais ainda possuem a ideia de que automação é simplesmente gravar as interações do usuário com a aplicação e depois executar o script de teste.

Apesar desse procedimento ser fundamental, automatizar testes vai muito além disso e, na maioria das vezes, é preciso atuar na codificação dos scripts de teste para trabalhar com testes complexos. Além do mais, por vezes, é preciso alterar a aplicação para que ela suporte a execução da automação.

Conclusão

Como vimos, a combinação entre o teste manual de software e o teste automatizado é uma ótima forma de aumentar a cobertura dos testes e cada uma possui as suas vantagens. Tenha em mente que o objetivo principal deve ser sempre aumentar as chances de sucesso e não comprometer a qualidade das aplicações.

Confira um comparativo para te ajudar a enxergar as vantagens tanto do teste manual de software quanto do teste automatizado de software.

Teste manual de software

Teste automatizado de software

Está sujeito a erros humanos

Oferece mais assertividade por ser realizado por máquinas

Possibilita testes fiéis de usabilidade

Não consegue simular uma situação real do usuário

Possibilita encontrar bugs extras devido à atuação analítica

Possibilita agilidade e repetição de procedimentos sem exaustão

Esperamos que este conteúdo tenha sido útil para você escolher a melhor forma de realizar testes de software na sua empresa. O importante é que você não deixe de contar com profissionais especializados para essa tarefa.

Quer saber mais sobre automação de teste de software? Será que a sua empresa está preparada para ela? Recomendamos que leia este artigo.

Escrito por Cristiano Baumgartner
Co-Fundador da Testing Company / Especialista em Teste e Qualidade de Software